A Praça É o Povo. o Projeto da Multidão na Arquitetura de Fábio Penteado
Abstract
O seguinte texto propõe um olhar especial sobre a forma de projetar de um arquiteto e de como analisá-la. Através de conceitos pré-definidos busca-se atingir a essência da obra e da estratégia do projeto arquitetônico de Fábio Moura Penteado. O arquiteto tem declarada sua preocupação pela questão das multidões urbanas. No seu projeto, o termo multidão transcende a questão meramente quantitativa para assumir uma dimensão humana maior, ligada à condição individual no meio metropolitano, da personalidade massificada, do ser urbano submerso na infinitude da metrópole, da realidade do habitante que não chega a cidadão. Ao transferir essas preocupações para o projeto de arquitetura, surgem lugares que promovem o encontro, o convívio e o reconhecimento mútuo entre os habitantes da cidade, como meio de se opor à atomização que geralmente induz o meio urbano. Os espaços idealizados pelo arquiteto são praças, entendidas em seu sentido mais abrangente e inclusivo. Ao ser o espaço público por excelência, o conceito de praça engloba o número e o significado do povo, acolhe o trato comum entre os vizinhos, o mercado, a festa popular. A arquitetura de Fábio Penteado quer fazer aflorar a riqueza da vida diversa que a urbanidade contém, mas que se esconde sob a deturpação causada pela falta de planejamento, de oportunidades, de fruição e de humanidade. Em um exercício de escala adequado às dimensões do horizonte metropolitano, sua arquitetura quer criar os pontos de referência que a paisagem amorfa da cidade não oferece. Sua obra se confunde com a experiência da chamada “Escola Paulista”, dentro da qual se reconhece e se desenvolve com grande liberdade formal e propositiva, sugerindo a rediscussão dos cânones que a caracterizam em favor de um reconhecimento maior de sua diversidade.